Rubronegros
“conversantes e espiantes”, como diz o amigo Roni, este jogo contra o Furacão
da Baixada traz consigo um grande perigo, que é justamente a calmaria que
antecede as verdadeiras tempestades. O Flamengo livrou uma pequena vantagem na
corrida contra a maré da Z4, que teimava em correr atrás de nós como o resto da
onda que tenta molhar nossos pés na beira da praia. Com sete pontos de vantagem
para o último time da confusão, seriam preciso pelo menos três resultados sem
vitória para sermos alcançados por destes times. Não é ainda uma situação
invejável, mas a pressão sobre o técnico e jogadores, com certeza é menor. Por
outro lado, estamos a cinco pontos dos nossos competidores mais bem colocados,
Santos e Fluminense, o que significa que precisamos ganhar duas partidas e eles
perderem outras duas para ultrapassar a pontuação atual do sétimo e oitavo
colocado. Se possível, tirando nestes jogos o saldo de cinco gols negativos que
temos, o que nos coloca atrás do Goiás, que tem o mesmo número de pontos mais um
saldo positivo de um gol.
Na Copa do Brasil,
depois de uma emocionante vitória contra o Coritiba, fizemos dois jogos
“xoxos”, ganhando as duas partidas pelo “PPL - Placar Padrão Luxa 2014” (1 x
0). Não diminui em nada a aplicação dos jogadores, a marcação forte que a
equipe apresenta, e a consciência tática que o treinador conseguiu transmitir
para esta equipe. Não chega a ser um futebol empolgante, mas funciona, e perde,
ganha e empata jogos, sem nenhum naufrágio anunciado como o que estávamos vendo
chegar quando o Luxa assumiu. Ocorre que só teremos a primeira partida da
semifinal depois que o Brasil (fé em Deus) tiver escolhido seu presidente e um
novo rumo para a nação, dia 29 de outubro.
E é justamente
nesse intervalo entre as brigas de galo que com certeza teremos nestas
semifinais, que o perigo da calmaria se manifesta. Ficamos sem mais um atacante,
um dos zagueiros titulares vai ficar 15 dias de molho, tivemos que tirar
jogadores de campo por dores... Cenário armado para o time entrar devagar e sem
força para vencer o adversário e a arbitragem, se for necessário! Nas
navegações históricas, que ampliaram os limites do mundo do século 15, a
calmaria, junto com o naufrágio e os ataques de pirata, eram os terrores dos
marinheiros da época. A calmaria podia durar dias ou até semanas, com o estoque
de água acabando, a comida sendo racionada e os marinheiros sem ter o que
fazer. Dizem até que alguns ficavam loucos e se jogavam no mar.
Pois é desse
espírito de moleza que precisamos fugir, jogadores e torcedores. Depois do
Atlético PR temos o desafio de devolver à derrota do primeiro turno para o
colorado gaúcho, e depois temos pela frente o nosso querido Botafogo, de quem o
Santos tirou uma casca tão grande que não podemos deixar por menos. Afinal o
freguês é nosso!
Cabe ao Luxa reunir
quem está inteiro e buscar a vitória em todas as partidas, dando uma
especial atenção para qual tática vai usar para ganhar do Galo no terreiro
dele, no jogo de volta. Mesmo com uma torcida menor neste domingo paranaense,
teremos dois jogos seguidos no Maraca para animar a torcida, mais o jogo em
casa contra o Galo, uma sapecada devida na Chapecoense, também em casa, e
finalmente o jogo da volta onde o urubu precisa bagunçar o galinheiro mineiro.
Impossível não ficar de olhos voltados para os dois jogos da Copa do Brasil. Em
quatro jogos podemos estar na Libertadores 2015, salvando um ano de tanto
sofrimento como vinha sendo este 2014.
Portanto,
marinheiros e soldados do Mengão, não descansem porque a sorte sorri para quem
a persegue.
Pra cima deles, Mengão!
Posfácio: Só para registrar que o primeiro jogo deste estádio onde vamos jogar, exatamente há cem anos (6/9/1914), terminou com o Flamengo aplicando um impiedoso 7 a 1 no Internacional PR (que dez anos depois virou o Atlético Paranaense). E o primeiro gol, claro, foi de Arnaldo, pelo Flamengo. Só para acabar com essa besteira de que é difícil ganhar na casa deles...









