sábado, 9 de agosto de 2014

Preleção Flamenga, uma LIÇÃO Rubronegra


Amigos do Conversa Flamenga, tem dia que dá vontade de entrar em campo, ou pelo menos de estar presente na hora da preleção, para dizer aos jogadores tudo que nos vem a cabeça, ou melhor, ao coração, cada vez que o nosso Flamengo entra em campo. Imagem a cena: Torcedores apaixonadíssimos mexendo com os brios dos joadores que hoje tem a inenarrável honra de vestir o Manto RubroNegro. No melhor estilo “juntos e misturados” vejam o que os nossos conversantes teriam a dizer.

O primeiro a mandar o seu discurso foi o Juberto Pereira, direto de Santarém, dizendo porque temos que vencer e mostrar que Leão no Maraca vira gatinho:

Não porque tememos cair: TIME GRANDE não cai, mas vencer por motivos reais de hierarquia! Abracem os 40 milhões membros da Nação Rubro-Negra que odeiam o gatinho usurpador de título e com motivos: A gatinha espírita que jogou na escuridão a final da segundona e se transpôs com decisão de caneta para se iluminar na primeira. Que o Urubu voe alto e saiba beliscar o gatinho xenonento. VÃO, não cheirem a genérica merluza; VEJAM e cuspam no xaninho; E VENÇAM jogando junto com a torcida! Honrem o MANTO SAGRADO e façam com que volte com o rabo entre o zero: Já não basta o Juvenal que gosta de PAU. Sai fora genérico!”

O "Campeonato" era chamado de Módulo Amarelo, e terminou assim......


Já o Roni, de Pedra de Guaratiba, se mostra confiante: Afirmo que o Flamengo não cairá para a divisão subalterna do Campeonato Brasileiro,também  conhecida segundona! Os jogadores deverão encarar cada jogo como se fosse uma semi-final para chegarmos ao final do campeonato o mais distante possível da zona de desclassificação para a primeira divisão do ano que vem! O Luxemburgo estará completando agora praticamente  a segunda semana de treinamentos e após a entrevista que eu ouvi recentemente dele eu tenho certeza que ele escalará os melhores jogadores do elenco,sugestão que o Jubertão de Klevar e os demais Amigos vem clamando aqui no Conversa Flamenga! Luxemburgo elogiou os jogadores  Cáceres, Mugni, Canteros, Eduardo da Silva e  Paulinho, portanto já temos uma espinha dorsal para futuras escalações! Eu apostei que em 2009 que  o Flamengo seria Campeão Brasileiro e acertei, e agora em 2014 eu aposto que o Flamengo estará na primeira divisão em 2015!
Ek glo !!! Unë besoj !!! أعتقد أن我相信!אני מאמין !!! Верујем !!! Mi kredas !!! 私は信じて!I believe !!! Ich glaube !!! EU, ou melhor, NÓS TORCEDORES DO FLAMENGO EM DIVERSAS PARTE DO MUNDO, ACREDITAMOS!!!! SRN ETERNAS !!!”

O Douglas Galvão, do alto das Alagoas, dá o seu recado, ainda injuriado com os parasitas:
“O que falar sobre o FLAMENGO? Que nós estamos na lanterna? - Não, isso não, porque a turma do "arco-íris" já está falando demais sobre essa situação inusitada do FLAMENGO. Que nós estamos participando de "leilões" atrás de contratar KAKÁ, ROBINHO, FRED, JOSE SOSA, EDENÍLSON entre outras "mercadorias" que como os "refugos" contratados anteriormente, só vão servir pra onerar mais a folha de pagamentos! Que o Mariana XIMENES é apenas mais um intermediário a complicar as contratações tão necessárias(2 laterais - 1 meia armador - 1 atacante), porque assim como o PELAIPE, ele só vai atrás de jogadores dos seus "amigos" empresários. Que nós ainda não nos livramos de ANDRE SANTOS, ELANO (ÔPA, esse foi!), CHICÃO, MARCIO ARAUJO, FELIPE etc. Que nós vamos fazer festa antes do jogo contra o SPORT(que no jogo anterior perdeu pro Figueira de 3x0), pra comemorar o que, se todo vez que nós fazemos festa antes de um jogo o resultado final é ruim! Acho que não temos muito o que falar agora e só vamos ter assunto depois desse jogo de domingo que se não vencermos, aí a coisa fica quase que irreversível pro FLAMENGO se livrar do rebaixamento! É bom saber que o EDUARDO DA SILVA vai jogar (Será?), que o CÁCERES e o LEO voltam ao time. Bom seria que o SAMIR e o PAULINHO tambem estivessem recuperados e que o CESAR finalmente fosse escalado pra jogar!”

O Elias da Costa e Silva, nosso carioca historiador rubronegro, começa com um conselho de um grande craque do passado, Evaristo de Macedo: Aos jovens jogadores do Fla, um conselho: entrega, dedicação e respeito a essa camisa." O que eu tenho a dizer é mais ou menos, parecido com o do Prof. Evaristo. Um pouco além, até: É preciso conscientizar todos os nossos atletas da importância que é, representar uma legião de mais de 40 milhões de apaixonados torcedores do MAIS QUERIDO DO PLANETA !!! Sempre achei que para vestir o MANTO, todos os jogadores deveriam passar por um Vestibular Rubro Negro !!! Têm que conhecer a história do nosso Clube, desde a sua fundação, na Praia do Flamengo, 22, quando éramos só Clube de Regatas, literalmente !!! Saber sobre importantes atletas que já passaram e fizeram história no Clube. Tem que haver envolvimento profissional, sentimental e emocional com o Clube. Não podemos ter jogadores frios, quando temos uma torcida que não para de cantar nas arquibancadas, empurrando o time. Sei que desde 1971, não passamos por situação tão difícil, em Campeonatos Brasileiros, com cerca de 75% do total de pontos, desperdiçados, até o momento, mas a hora é essa !!! Hora da VIRADA !!! Já vivemos situações iguais ou parecidas e saímos dela e de 2005 pra cá, sofremos, mas não fomos rebaixados. Aliás, um dos poucos Clubes do BR e o único grande do RJ há mais de um século, sempre na PRIMEIRA DIVISÃO !!! Concluindo, repito a conselho do Prof. Evaristo: ENTREGA, DEDICAÇÃO E RESPEITO A ESSA CAMISA !!! Que os nossos jogadores assimilem o nosso pensamento e a nossa torcida pelo MAIS QUERIDO DO PLANETA.” 

E o cometa Rodrigo Ribeiro, aquele que sempre brilha quando aparece, manda o seu recado:
Nesse momento, se eu fosse o treinador, nem sei o que eu pediria em uma preleção.  Afinal, como pedir talento a quem não tem, como pedir gols a quem não sabe fazer?  Como pedir a um brucutu que acerte passes ou como pedir a um jogador em final de carreira, que corra como um menino??  Como extrair alguma coisa de quem quase não tem nada a oferecer??  Então, o que eu pediria seria pelo menos respeito pela Nação, que a equipe pelo menos jogue com garra, que a equipe corra, que a equipe jogue no seu limite, e aconteça o que acontecer no final do ano, que aconteça pelo menos com dignidade.  Mas, eu, como torcedor, pediria aos dirigentes que aí estão, que tenham respeito pelo Clube, que parem de tratar o futebol com a irrelevância com que têm tratado, que foquem sim em pagar as dívidas, mas que não foquem apenas nisso, porque todo o trabalho feito até agora pode ser jogado no lixo com tantos erros que têm sido cometidos na administração do futebol.  E pediria aos deuses do futebol que nos protejam com um milagre para revertermos nossa atual situação, porque tirando a nossa camisa e toda a mística que cerca o rubro-negro, dentro de campo não resta muito que nos dê algum alento.”

Por fim, temos a estreia do Rodrigo Roecker, vindo das terras catarinas: "Se o motivo do corpo mole for picuinhas entre vocês jogadores, salário atrasado ou problemas pessoais eu não sei, o que eu sei é que precisamos deixar todos os problemas e jogar pela torcida...joguem por aqueles que nesse momento estão nas arquibancadas, vendo na tv, acompanhando na internet ou ouvindo no rádio, joguem machucados, deem sangue se for preciso, e principalmente, suem e sujem o uniforme...a Nação agradece!"

Depois de todos estes depoimentos de quem gosta e ama o Flamengo acima de todas as coisas menos importantes da vida, só me resta dizer que isso é apenas uma amostra do sentimento nacional (e cada vez mais internacional também) de inconformismo pela situação atual do Flamengo na tabela. É hora dos jogadores provarem que são gratos a esta diretoria que busca colocar os polpudos pagamentos em dia, atacada por oportunistas de todos os tipos. Não vencer hoje é dar mais espaço na imprensa e na política interna para todos aqueles que tanto mal fizeram ao Flamengo e que se aproveitam dos momentos difíceis para voltar às manchetes com declarações que demonstram o mau caratismo de quem não quer ver o Flamengo forte e preparado para outros 100 anos de história! Aos jogadores, se não podemos estar todos com voz ativa na preleção, escutem a voz da arquibancada. Cada grito ouvido no estádio representa outras mil vozes fora do campo, dizendo a mesma coisa: Joguem com inteligência emocional, sejam malandros como o Luxemburgo, mas que se doem como se o churrasquinho de gato fosse a única comida disponível na próxima semana!


Saudações RubroNegras!


sábado, 2 de agosto de 2014

Hora de passar o Chapéu (com esse)


Amigos do Conversa Flamenga, o trocadilho criado pelo amigo Douglas vem bem a calhar para batizar este texto de véspera de mais um passo na nossa sofrida escalada rumo a um futuro melhor nesse campeonato. Talvez eu devesse até grafar $HAPÉU, pois o “S” cifrado tem tudo a ver com o momento criado por esta torcida maravilhosa, que dá uma prova viva do seu amor pelo clube com a criação destas duas campanhas de arrecadação de fundos. É quase uma continuação do espírito da coluna anterior: Que torcida é essa, que mesmo com o time na zona de rebaixamento, lança um mecanismo que faz qualquer rubronegro se sentir parte integrante do esforço de colocar o Flamengo no lugar que todos nós sonhamos, que é disputando títulos com os maiores clubes do mundo, e passando o rodo nos adversários locais?
Há de se louvar a sabedoria da torcida. Torcida que conseguiu enxergar nos dirigentes atuais a seriedade no trato do orçamento, a austeridade fiscal e o respeito às leis trabalhistas. Mesmo com os muitos erros na contratação de jogadores, mesmo com algum amadorismo na administração do futebol, esta torcida conseguiu separar o joio do trigo e apostar na confiança à esta gestão saneadora. Não é fácil. É quase um fenômeno. Imaginem se alguém abriria o seu magro bolso para contribuir com a diretoria comandada por Kleber Leite ou Patrícia Amorim. E aqui não trato de política interna do Flamengo. Trato do respeito imenso que os Blues conquistaram nesse ano e meio de gestão, mesmo à custa  um time modesto, que por obra e graça de São Judas Tadeu e de uma equipe esforçada, ainda conseguiu nos dar alguma alegria com a Copa do Brasil de 2013 e o Carioquinha de 2014.  E do jeito que vínhamos, prestes a nos dar a desgraça maior que seria ser rebaixado em 2015. Mas mesmo assim a torcida confia e faz o que sempre se falou, mas ninguém tinha tido coragem de fazer de fato. Eu sempre li, nos blogs e nos comentários que se colocam após as notícias do Flamengo, que se a torcida se juntasse, se cada um desse um pouquinho só, seríamos imbatíveis. Veio o sócio torcedor, mas nem todos podem garantir a obrigação mensal, pequena para alguns, mas uma despesa significativa a mais para a grande massa dos torcedores rubronegros. Basta ver a pirâmide de renda salarial brasileira. A absurda maioria das famílias não dispõe de 40 reais mensais para contribuir, esse é o fato. Nunca chegaremos aos 40 milhões de torcedores doadores, como se fala para dizer que basta um real de cada um para criar o maior patrocínio de clubes do mundo. Mas cada vez que alguém doa 10 ou 20 reais, está cobrindo os outros 10 ou 20 reais que algum flamenguista gostaria mas não pode doar.

Fica a convocação geral! Contribuam sim, mas não só no primeiro mês. Ao invés de doarem 100 reais de uma vez, doem menos, mas doem todos os meses. Contribuam um mês para abater a dívida e outro mês para contratar jogadores. Se esta campanha se espalhar de fato, se o escudo do Vice for retirado do DARF “hackeado”, e se o time mostrar em campo o brio e a raça que a torcida pede, em muito menos tempo seremos de novo a potencia futebolística que tanto queremos! Ainda hei de viver para ver os Barcelonas da vida entrarem em campo na retranca contra o nosso Mengão, com medo do poderio do nosso esquadrão!

Mas, e em toda história tem um “mas”, a paciência da torcida não é inesgotável. Ao contrário, beira mais a ansiedade e a impaciência do que qualquer coisa próxima à tolerância e ao conformismo. Ainda estamos na zona do mangue, com a água perigosamente batendo na bunda. Uma vitória contra o (ou a) Chapecoense é imprescindível neste momento. Como se diz sempre, é jogo de 6 pontos. Ao alcançar os 13 pontos, estaremos chegando ao total de pontos de um clube que antes de começar a rodada ocupa a 12ª posição. Muito menos que achamos que merecemos e muito mais do que esperávamos há duas semanas atrás. Até o ânimo da torcida mudou, é hora de quem entrar em campo corresponder à esperança dos torcedores e também “se doar” ao máximo.
O Luxa, que tem o mérito de ter mudado o astral do time, parece fazer a parte dele. A escalação, com Paulo Victor, Luis Antonio, Wallace, Marcelo, João Paulo, Canteros, Muralha, Mugni, Everton, Gabriel e Alecsandro, é a mais simples e tenta repetir o time que conseguiu a vitória contra o Botafogo. Para quem perdeu a intertemporada, como nós, e mais um dia de treino por conta da viagem, cada jogo é um treino. Não dá para inventar nem fazer tanta experiência como vinha fazendo o técnico anterior. Forme um time base, escolha os 11 melhores, como diz o Juberto, e vamos que vamos!
Eu não conseguiria fazer uma análise tática melhor do que a reproduzo abaixo, retirada do cabedal de conhecimento de futebol do amigo Douglas. É da lavra dele a explicação para o acerto na escalação: “A entrada do CANTEROS na posição que ele rende melhor(2º volante), o meio de campo com a formação de um losango, com o MURALHA na cabeça de área, o CANTEROS de volante/meia pela direita, o EVERTON de volante/meia pela esquerda com o MUGNI fechando o losango a frente pelo centro, o GABRIEL como um 2º atacante pelos lados e se entendendo e dando opção para troca de bola e tabelas com quem vem de trás e, ou lançando o ALECSANDRO no ataque”. Talvez o Amaral fosse mesmo mais efetivo na marcação, mas se precisamos de gols e da vitória, vamos apostar que o Muralha (sem as trivelinhas, como disse o Luxa) consiga fazer o seu defensivamente e consiga sair jogando bem quando roubar a bola. Ele sempre teve talento, vamos torcer para que ele participe bem do jogo e se torne uma opção saudável para o nosso time. Como todos os torcedores que estão contribuindo com o FLAMENGO DA NAÇÃO e com o FLAMENGO EM DIA, estou confiante! Pra cima deles, Mengão!

Saudações RubroNegras!



sábado, 26 de julho de 2014

Saltando no escuro: Que torcida é essa?



Amigos do Conversa Flamenga, confesso a minha enorme dificuldade de decidir o que dizer nessa véspera de clássico, sem fugir do óbvio, que é a necessidade absoluta de vitória. Um empate nos deixaria na mesmíssima posição medíocre e indigna das tradições flamengas. Não foi uma semana fácil de digerir. Completamos a terceira perda de escritores que me tocavam, e muito, o coração e a minha brasilidade. Com Ariano Suassuna, lotou o táxi que levou para o céu três grandes nomes da nossa cultura em um tempo muito curto. Imagino Ariano discutindo com João Ubaldo e Rubem Alves no caminho de ida.
Como singela homenagem, procurei frases eternizadas por estes três grandes brasileiros, e que me permitam iniciar este comentário angustiado sobre o momento rubronegro.
A compreensão exige um antecedente de experiência. Isso vale para a jardinagem, para a beleza da música, para iniciar a criança na arte da leitura... mas ... é preciso, antes de mais nada, desconfiar de nosso estoque de experiências, colocar as nossas certezas de lado." (Rubem Alves)
No início de 2012 eu havia me juntado às vozes que pediam a saída de Vanderley Luxemburgo do Flamengo. O ambiente era péssimo e a sua saída parecia um alento naquele momento. Nunca me agradou essa figura de empresário travestido de técnico que o Luxa encarnou depois de um período radioso de sua carreira, que alcançou seu clímax em 2004, exatos 10 anos atrás, com o título brasileiro conquistado pelo Santos. Acredito sinceramente que se o Luxa, naquele momento, se dedicasse apenas ao trabalho dentro de campo, teria tido muito mais sucesso do que os estaduais esparsos que conquistou depois, chegando ao ponto de estar desde 2013 sem emprego até ser novamente contratado pelo Flamengo.
Assim, eu jamais indicaria o Luxa para nosso técnico neste momento. Não sei se é verdade que seu nome foi uma imposição dos dirigentes que passaram pelo Flamengo nos anos anteriores (os mesmos que levaram o Flamengo a esta situação de penúria e de falta de credibilidade), mas entendo que a política de um clube, como na política nacional, passa por alianças espúrias e pelo diálogo entre as facções, por mais que isso não me agrade. Mas como disse o mestre Rubem Alves, precisamos desconfiar do nosso estoque de experiências. O que significa que as vezes temos que aceitar a possibilidade de estarmos  errados, mesmo que a voz da razão e as nossas vivências digam o contrário.
O fato é que não podíamos continuar como estávamos, perdendo seguidamente e a cada jogo apresentando um futebol pior que o anterior, e com os mesmos erros de escalação. Ney Franco não tinha mais efeito como comandante deste grupo e se em 7 jogos (e trinta dias de treino!) não havia conseguido impor um padrão de jogo, com ele nosso destino estava traçado. Estávamos completamente vulneráveis defensivamente e sem marcar gols. Pior, a bola simplesmente não passava pelo nosso meio de campo. Como as opções no Brasil (Tite, Felipão) trariam o estilo “gaúchobol” ao Flamengo, e confiando que o Sampaoli realmente não aceitou o nosso convite, acabei entendendo que talvez um Luxa despido de sua arrogância habitual, mais propenso a limitar o seu trabalho às quatro linhas, poderia ser uma solução de choque para um time que realmente precisava de um impacto,  e de uma medida que se coadunasse com a força desta torcida. Torcida que, a meu ver erradamente (mas compreensivelmente), já tinha perdido as estribeiras na agressão ao jogador (ou ex-jogador) André Santos, uma espécie de símbolo do Flamengo modorrento e preguiçoso dos últimos tempos. Me ocorre trazer uma interpretação “ubaldiana” para este sentimento de revolta: “Jogar ovos, tomates e tortas na cara de autoridades e pomposos variados é comportamento relativamente comum nas democracias mais consolidadas, com exceção da americana, onde o pessoal prefere dar tiro mesmo.” (João Ubaldo Ribeiro)
Mas depois desse longo introito, nem vou me deter para falar da possível contratação de Robinho por inimagináveis 900 mil reais mensais, já que até agora isso foi apenas um factóide lançado pelo nosso ex-presidente que contratou mais de 100 jogadores em dois anos de mandato. Se virar realidade voltamos ao assunto. O que me interessa mesmo é o estado de espírito da Nação RuboNegra. De um momento de absoluto descrédito e falta de confiança, passamos para a euforia absoluta. Já durante a semana a fila de ingressos parecia fila de hospital público às seis da manhã. Talvez pelo fato de ser a volta do time ao Maracanã, talvez pelos problemas na obtenção dos ingressos... Mas com certeza pelo magnífico espírito rubronegro que culminou com uma presença maciça no treino deste sábado, com direito a cântico novo e uma empolgação digna de final de campeonato.
Aí vale perguntar: QUE TORCIDA É ESSA? Que sentimento move esta massa capaz de sustentar uma campanha rumo às principais posições na tabela com a força do seu grito, do seu suado ingresso e de suas orações vindas de todos os cantos deste país? Que coisa maravilhosa este sentimento de pertencimento que une pessoas tão diferentes no dia a dia, de todas as classes sociais, de todas as religiões e de todos os sotaques. Mesmo na rabeira da tabela, me dá vontade de gritar: Como é bom ser Flamengo!
Embora de minha parte, prefira me ater ao nosso queridíssimo Suassuna, que diz: "O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso." (Ariano Suassuna), é preciso reconhecer que a direção vem buscando um caminho. Os ingressos se tornaram mais acessíveis, e o técnico fez uma convocação dizendo que “a Nação tem que comparecer e nos apoiar. Esquece o que estamos passando, nossa razão de ser é a Nação Rubro-Negra...todo mundo que trabalha hoje no Flamengo está de passagem por aqui, o Flamengo existe por causa da sua torcida. Se ela nos abandonar, o clube acaba”. Ou seja, só falta em campo o Flamengo nos presentear com uma bela atuação, com uma garra verdadeiramente rubronegra e com um futebol consistente, que compense esta euforia desmedida. Só o fato de não termos Felipe, André Santos e Elano em campo já é motivo para prever uma atuação mais equilibrada. O Botafogo que se cuide. Se depender da torcida, a cachorrada vai ser vacinada...

Saudações RubroNegras!

domingo, 20 de julho de 2014

PIT STOP no Mengão


O Domingo já foi um dia de felicidade geral da Nação. Quando tinha corrida de Fórmula Um, até a ida para a praia ou para o churrasco com os amigos era atrasada para ver mais um show do Senna. A tarde, futebol no Maraca, e na década de 80, dia de show de Zico e Cia. O país foi se democratizando e a esperança de todos os brasileiros era grande. Antes de Senna, Piquet e Fittipaldi já haviam ganho títulos mundiais e era comum dizer que ninguém tinha tantos pilotos bons como nós. Nós éramos brasileiros, sim, com muito orgulho...

Mas não há bem que vire eterno, nem mal que dure para sempre. Na política, um presidente eleito doente e que escondeu a sua doença de todos, não toma posse e leva ao poder o suprassumo das oligarquias, do coronelismo e da fisiologia na política. Na F1, os demais países e fábricas de carros simplesmente se prepararam para tomar o poder. No futebol, embalados pela fase magnífica, apareceram os flamenguistas populistas, dispostos a levar vantagem em tudo, como dizia o anúncio que desgraçou a imagem do craque Gérson, a ponto de ser criada a expressão “lei de Gérson”.

O resultado todos sabem. No campo político, depois de uma bem sucedida virada de jogo no combate à inflação, todas as nossas esperanças vieram abaixo, a ponto de pessoas que sempre foram idealistas e esperançosas, hoje, não terem nem disposição para acompanhar o noticiário do Congresso, mais parecido com um folhetim policial do que com a descrição da “nobre arte da política”. Na F1, tivemos 7 títulos do Schummi, 4 do Vettel e estamos indo para mais um campeão alemão, o Rosberg, com a Mercedes, também alemã. No futebol mundial, vimos um projeto sério levar a Alemanha ao vice campeonato de 2002, aos terceiros lugares de 2006 e 2010 e finalmente ao título mundial de 2014.
Não é possível que as pessoas acreditem que vamos inverter esse jogo sem fazer nada. Está claro que o bravo Massa não vai mais ser campeão mundial, errando seguidamente e quando não erra, herdando todo o azar histórico que acompanhou a carreira do último piloto brasileiro a ter alguma projeção na F1. A cada corrida, uma decepção nova. Não dá nem mais vontade de ver, a menos que sejamos admiradores fanáticos de corridas e queiramos ver o show de Lewis Hamilton, Alonso e Vettel. O resto é só vexames, a ponto do Massa sair na primeira volta da corrida em duas corridas deste ano, ainda na metade do campeonato. E já que falamos de vexame brasileiro, como esquecer os 7 a 1 da semifinal contra os mesmos alemães que vem dominando (pilotos e fábricas) a categoria principal do automobilismo mundial? Tão desacordados ficamos que até torcemos para os nossos algozes, mandando o corporativismo sul americano às favas e rezando para que os hermanos, além do Papa, não tivessem mais munição para nos gozar nessa eterna rivalidade.

E chegamos ao Flamengo, que nesse domingo tem pela frente mais um adversário bem organizado, que vem de uma derrota e precisa se recompor diante de sua torcida. Quantas e quantas vezes dissemos aqui que o Flamengo inferiorizado se agiganta e que, “tremei adversários”, é nessas horas que a mística rubronegra aparece e a vitória nos sorri?
Mas do mesmo jeito que não vamos a lugar nenhum com Dunga e Gilmar, não vamos a lugar nenhum com o Sr. Ney Franco insistindo na burrice de escalar Felipe, Elano e André Santos. E ainda com o azar “barricheliano” de não contar com Samir, Paulinho e provavelmente Everton. Vamos ter Mugni e Luis Antonio em campo, mas os 30 dias de treinamento não serviram para dar ritmo e entrosamento à equipe que vai entrar em campo. 

Li durante as férias que o time consegue mudar o esquema tático “sem trocar os jogadores”, como se fosse o máximo da inteligência tática do nosso comandante (?). Mas e trocando, também sabemos? Porque pelo visto o tão sonhado 3-5-2 fez água na primeira prova, e olhem que não foi contra  um dos favoritos ao título, foi contra o modesto Atlético do Paraná, que ainda se deu ao luxo de deixar o excelente Marcelo Cirino no banco quase o jogo inteiro.
O Zinho não fez muita coisa como dirigente do Flamengo. Mas cunhou uma expressão de desânimo que nos marca desde então: “Difícil, muito difícil!”.
Essa é a nossa realidade. Vamos para a frente da TV  com as esperanças de sempre, baseadas no nosso desejo profundo de ver o triunfo rubronegro, mas conscientes que só com muita ajuda do nosso santo padroeiro voltaremos do Sul com os três pontos que tanto precisamos.

Vai que é tua, São Judas! E que todos os espíritos rubronegros possam nos ajudar nessa nova Missão Impossível!