Amigos, a Copa das
Copas acabou. Para o Brasil, podia ser pior. Podia ter perdido a final para a
Argentina. Já vai ser motivo de chacota mundial, e pelo que soube, uma bela
grana vai ser ganha pela CBF pelo patético 4º lugar. A CBF de Marin e Del Nero.
Uma campanha para NÃO se esquecer. Apenas 50% dos pontos conquistados: Vitória
contra Croácia, Camarões e Colombia, empates com o México e Chile, e derrotas contra a Alemanha e Holanda. Coroa o grande espetáculo
que foi essa Copa, desde a escolha da sede até a entrega dos estádios
superfaturados, da vergonha que só o brasileiro consegue esquecer, das
promessas de “legado” não cumpridas e das expectativas criadas pela ilusória
vitória na Copa das Confederações. Um time medíocre, um técnico incompetente e
ultrapassado, uma comissão técnica horrorosa e uma falta completa de líderes em
campo. Tanto líderes “técnicos” como líderes de personalidade.
Aliás, para fazer
jus ao título desta coluna, quero ter a oportunidade de repassar um pouco de uma verdadeira
palestra que recebi de uma pessoa que conhece como poucos a “psicologia do
esporte”. Esse meu amigo abriu um site com os 7 gols que levamos contra a
Alemanha e foi explicando. Para mim, que fiz coluna dizendo que “por Júlio
Cesar eu amarelo”, foi triste contatar que o goleiro está sem reflexos e, pior,
não comandou a defesa em campo, não foi o líder de personalidade que se
esperava que fosse. Não vou replicar aqui a palestra inteira, gol a gol, mas
quem quiser rever os gols e ir parando os quadros vai chegar a mesma
conclusão. No primeiro gol, por exemplo, existiam 5 jogadores no primeiro pau,
e NENHUM do lado direito do gol, marcando o jogador que se colocou livre e
arrematou para o gol. O Marcelo estava dentro do gol. Fazendo o quê? O jogador
que marcou o gol poderia ter sido pelo menos atrapalhado na sua conclusão.
Aliás, o Marcelo não marcou ninguém nessa Copa. Foi até bem no ataque, mas um
lateral precisa saber marcar também. O Davi Luiz, em pelo menos 3 gols estava
trotando na hora em que o ataque alemão entrava na área. Quando me lembro do
Mascherano voltando que nem um foguete para impedir um gol adversário no último
movimento, me dá tristeza de ver este jogador em campo. Porque ele sai da Copa
como o zagueiro MAIS VALIOSO do mundo. Mas nas suas últimas partidas no seu
último clube ele jogava mais adiantado, tendo gente para cobrir as suas
subidas. No time do Brasil não havia essa consciência tática. Davi Luiz foi um
“peladeiro” e vi vários jornalistas elogiando que ele estava “em todos os
lugares do campo”. PÔ, se estava em todos os lugares, não estava na ZAGA!!! Que
é onde devia estar! Aliás, quem tem que ficar preocupado é o PSG que gastou uma
bela grana para ter Davi Luiz, Thiago Silva e Maxwell na sua defesa...
Mas uma parte que
me fascinou na exposição deste amigo foi quando ele falou dos líderes, em campo
e fora dele. No jogo dos 7 erros, faltou alguém que colocasse a bola em baixo
do braço, desse as broncas que tinham que ser dadas e arrumasse o time. Um elenco
que junto custa MAIS DE UM BILHÃO de reais não pode ter “apagões”! Era a hora
de mandar alguém cair em campo e arrumar uns minutos antes do terceiro e quarto
gol, “esfriar o jogo”, como se dizia. O que o Zito fazia na Copa de 58. O que o
Dunga, de quem nunca gostei, mas que reconheço este mérito, fazia em 94. E
tantos outros que não preciso citar aqui. Um time precisa de dois tipos de
líderes: Além desse líder de personalidade, que comanda o time dentro de campo,
é preciso um líder “técnico”, que é o cara que na hora do sufoco os jogadores
procuram para passar a bola. Com a saída do Neymar, não sobrou ninguém para
cumprir este papel. Nesse ponto, talvez a não convocação de Robinho, Ronaldinho
Gaúcho e Kaká tenha sido um erro. Não defendi em momento nenhum a convocação
deles, mas depois destes dois jogos chego a conclusão que eles fizeram falta
mesmo. Jogadores com experiência para cadenciar um jogo, improvisar, fazer uma
jogada diferente, criar a oportunidade de gol, ser atrevido, fazer a bola
passar pelo meio campo, ao invés de simplesmente rifar a bola seguidamente na
maldita “ligação direta”. Uma vergonha completa. Um técnico que podia ter
ficado com a imagem vitoriosa de 2002 e acaba saindo com a imagem de uma pessoa
confusa, taticamente um dinossauro. Que mané família Scolari é o cacete!
Vida que segue,
diria João Saldanha. Para quem gosta de futebol e não consegue acompanhar os
campeonatos internacionais, foi uma bela oportunidade de ver quem é craque no
mundo. Foram muitos jogos emocionantes, nenhum deles do Brasil. Do Brasil, o
que valeu foi a receptividade com que a maioria absoluta dos turistas foi
recebida, a integração entre os povos em um momento de guerras e de
radicalismo e violência.
Olhando para o
nosso interesse maior, aqui no Conversa Flamenga, fico pensando se os 7 erros
da nossa seleção vão servir para o nosso técnico atual aprender alguma coisa.
As notícias de contratações são escassas e insuficientes. Os jogos treinos
cheiram a desastre. As escalações parecem seguir máxima do técnico da seleção.
Diziam que o Telê acabou com os pontas, mas o Filipão acabou com os MEIAS! E
nas escalações que vi neste período de treinamento e férias foram sempre com
vários volantes, dois ou 3 atacantes na frente e ninguém pelo meio... Não temos
um líder técnico, não temos um líder de personalidade, abusamos do chutão da
defesa para o ataque. Espero sinceramente que o time melhore, e que a
intertemporada não tenha sido muito melhor para os demais times do que para o
Flamengo. Como flamenguistas, não desistimos nunca. Mas a expectativa é bem
menor do que a grandeza do Flamengo merece.
Vamos que vamos e
Saudações RubroNegras!











