sábado, 12 de julho de 2014

O antigo jogo dos 7 erros


Amigos, a Copa das Copas acabou. Para o Brasil, podia ser pior. Podia ter perdido a final para a Argentina. Já vai ser motivo de chacota mundial, e pelo que soube, uma bela grana vai ser ganha pela CBF pelo patético 4º lugar. A CBF de Marin e Del Nero. Uma campanha para NÃO se esquecer. Apenas 50% dos pontos conquistados: Vitória contra Croácia, Camarões e Colombia,  empates com o México e Chile, e derrotas contra a Alemanha e Holanda. Coroa o grande espetáculo que foi essa Copa, desde a escolha da sede até a entrega dos estádios superfaturados, da vergonha que só o brasileiro consegue esquecer, das promessas de “legado” não cumpridas e das expectativas criadas pela ilusória vitória na Copa das Confederações. Um time medíocre, um técnico incompetente e ultrapassado, uma comissão técnica horrorosa e uma falta completa de líderes em campo. Tanto líderes “técnicos” como líderes de personalidade.

Aliás, para fazer jus ao título desta coluna, quero ter a oportunidade de repassar um pouco de uma verdadeira palestra que recebi de uma pessoa que conhece como poucos a “psicologia do esporte”. Esse meu amigo abriu um site com os 7 gols que levamos contra a Alemanha e foi explicando. Para mim, que fiz coluna dizendo que “por Júlio Cesar eu amarelo”, foi triste contatar que o goleiro está sem reflexos e, pior, não comandou a defesa em campo, não foi o líder de personalidade que se esperava que fosse. Não vou replicar aqui a palestra inteira, gol a gol, mas quem quiser rever os gols e ir parando os quadros vai chegar a mesma conclusão. No primeiro gol, por exemplo, existiam 5 jogadores no primeiro pau, e NENHUM do lado direito do gol, marcando o jogador que se colocou livre e arrematou para o gol. O Marcelo estava dentro do gol. Fazendo o quê? O jogador que marcou o gol poderia ter sido pelo menos atrapalhado na sua conclusão. Aliás, o Marcelo não marcou ninguém nessa Copa. Foi até bem no ataque, mas um lateral precisa saber marcar também. O Davi Luiz, em pelo menos 3 gols estava trotando na hora em que o ataque alemão entrava na área. Quando me lembro do Mascherano voltando que nem um foguete para impedir um gol adversário no último movimento, me dá tristeza de ver este jogador em campo. Porque ele sai da Copa como o zagueiro MAIS VALIOSO do mundo. Mas nas suas últimas partidas no seu último clube ele jogava mais adiantado, tendo gente para cobrir as suas subidas. No time do Brasil não havia essa consciência tática. Davi Luiz foi um “peladeiro” e vi vários jornalistas elogiando que ele estava “em todos os lugares do campo”. PÔ, se estava em todos os lugares, não estava na ZAGA!!! Que é onde devia estar! Aliás, quem tem que ficar preocupado é o PSG que gastou uma bela grana para ter Davi Luiz, Thiago Silva e Maxwell na sua defesa...

Mas uma parte que me fascinou na exposição deste amigo foi quando ele falou dos líderes, em campo e fora dele. No jogo dos 7 erros, faltou alguém que colocasse a bola em baixo do braço, desse as broncas que tinham que ser dadas e arrumasse o time. Um elenco que junto custa MAIS DE UM BILHÃO de reais não pode ter “apagões”! Era a hora de mandar alguém cair em campo e arrumar uns minutos antes do terceiro e quarto gol, “esfriar o jogo”, como se dizia. O que o Zito fazia na Copa de 58. O que o Dunga, de quem nunca gostei, mas que reconheço este mérito, fazia em 94. E tantos outros que não preciso citar aqui. Um time precisa de dois tipos de líderes: Além desse líder de personalidade, que comanda o time dentro de campo, é preciso um líder “técnico”, que é o cara que na hora do sufoco os jogadores procuram para passar a bola. Com a saída do Neymar, não sobrou ninguém para cumprir este papel. Nesse ponto, talvez a não convocação de Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Kaká tenha sido um erro. Não defendi em momento nenhum a convocação deles, mas depois destes dois jogos chego a conclusão que eles fizeram falta mesmo. Jogadores com experiência para cadenciar um jogo, improvisar, fazer uma jogada diferente, criar a oportunidade de gol, ser atrevido, fazer a bola passar pelo meio campo, ao invés de simplesmente rifar a bola seguidamente na maldita “ligação direta”. Uma vergonha completa. Um técnico que podia ter ficado com a imagem vitoriosa de 2002 e acaba saindo com a imagem de uma pessoa confusa, taticamente um dinossauro. Que mané família Scolari é o cacete!
Vida que segue, diria João Saldanha. Para quem gosta de futebol e não consegue acompanhar os campeonatos internacionais, foi uma bela oportunidade de ver quem é craque no mundo. Foram muitos jogos emocionantes, nenhum deles do Brasil. Do Brasil, o que valeu foi a receptividade com que a maioria absoluta dos turistas foi recebida, a integração entre os povos em um momento de guerras e de radicalismo e violência.
Olhando para o nosso interesse maior, aqui no Conversa Flamenga, fico pensando se os 7 erros da nossa seleção vão servir para o nosso técnico atual aprender alguma coisa. As notícias de contratações são escassas e insuficientes. Os jogos treinos cheiram a desastre. As escalações parecem seguir máxima do técnico da seleção. Diziam que o Telê acabou com os pontas, mas o Filipão acabou com os MEIAS! E nas escalações que vi neste período de treinamento e férias foram sempre com vários volantes, dois ou 3 atacantes na frente e ninguém pelo meio... Não temos um líder técnico, não temos um líder de personalidade, abusamos do chutão da defesa para o ataque. Espero sinceramente que o time melhore, e que a intertemporada não tenha sido muito melhor para os demais times do que para o Flamengo. Como flamenguistas, não desistimos nunca. Mas a expectativa é bem menor do que a grandeza do Flamengo merece.


Vamos que vamos e Saudações RubroNegras!

domingo, 6 de julho de 2014

Literatura RubroNegra IV: A arte da paixão pelas palavras


 Amigos do Conversa Flamenga, eu não podia deixar de aproveitar estas férias forçadas de Flamengo sem incluir um livro de Ruy Castro neste sequência de livros sobre o Flamengo. Por várias razões. Devo dizer que Ruy Castro é quase um ídolo para mim. Mais do que tudo na vida (menos o próprio Flamengo e a família, claro), o que eu mais gosto de fazer é escrever. E o Ruy é um prodígio nesta arte! Além de realmente escrever bem, o Ruy sabe escolher seu repertório, sempre trazendo temas deliciosos, como a música, os bairros e a boêmia de antigamente,  artistas, e como não podia deixar de ser, o futebol. 

Seu livro sobre o Garrincha (Estrela Solitária, de 1995), a meu ver, é uma obra de arte e não foi a toa que ganhou o Prêmio Jabuti de 96. Recomendo ainda, um livro de 1990, Chega de Saudade, com a história e as muitas histórias da Bossa Nova. Em 1992, outro grande livro, O Anjo Pornográfico, em que fala do mais rubronegro dos tricolores, Nelson Rodrigues, e de quebra ainda conta muito do seu irmão, Mário Filho, que acabou batizando o nosso Maracanã. A Onda Que Se Ergueu No Mar, de 1992, além de voltar ao tema bossa nova, trazia a Ipanema e a boêmia de uma época linda do Rio de Janeiro. Confesso que por falta de tempo e oportunidade não li todos os outros, mas esse é um projeto que ainda hei de cumprir. Quem conferir e ler o primeiro livro dele, não importa qual, vai entender o porque da minha admiração por este rubronegro de alma, coração e espírito. Hoje mesmo, fazendo o meu sagrado passeio por uma livraria, descobri um novo livro dele, que fala dos ídolos do futebol de todos os tempos.

Mas hoje a resenha é sobre O Vermelho E O Negro, edição ampliada e revisada de 2012. Com  o subtítulo de Pequena Grande História do Flamengo, o livro é simplesmente maravilhoso. Só de pegar para rever antes de fazer esta coluna, praticamente comecei a ler de novo, e por pouco não troquei a tarefa de fazer a coluna pelo prazer de continuar a ler de novo o livro. As verdades rubronegras, ditas com o ufanismo modesto e natural de quem sabe o que diz, só poderia vir de um rubronegro autêntico e que conhece o destino magnífico do Flamengo na história do Brasil, atuando como um verdadeiro unificador da paixão nacional pelo futebol e pelo próprio país. Nesse papel, Ruy compara o papel do Flamengo à Igreja Católica e ao Jogo do Bicho. Mesmo não prometendo a vida eterna nem o enriquecimento fácil, o Flamengo “é onipresente. O Rio foi seu berço, mas sua casa é o Brasil. Sua camisa vermelha e preta viaja de canoa pelos igarapés; galopa pelas coxilhas; caminha pelos sertões; colore todas as praias; está nas favelas, nos conjuntos habitacionais e nas coberturas triplex”. Mais do que “O Flamengo é uma Nação”, mais exato é dizer que “a nação é o Flamengo”.

Apesar de contar a história do Flamengo, não esperem apenas datas e fatos históricos. A narração dos garotos da Praia da Flamengo que resolveram fundar o Grupo de Regatas do Flamengo, em 1895, é cheia de picardia e detalhes curiosos sobre aquele bando de sonhadores que não tinham a mínima noção da instituição nacional que estavam criando. Visionários, criaram uma República da Paz e Amor setenta anos antes do movimento hippie, e foi dali que nasceu o Flamengo original, antes do futebol. E desmente uma lenda bem conhecida de que o Flamengo  é filho do Fluminense. Criado em 1902, o Flu é, quando muito, um irmão mais novo do rubronegro.

A resposta à pergunta “Como o Flamengo se tornou tão popular?”, por exemplo, é repleta de observações históricas que só uma profunda análise da sociedade da época pode explicar. Passa pelas “flamengadas” daquele grupo de jovens que se reuniam na Praia do Flamengo, 22, e que tinham como vizinhos um convento, que um dia pegou fogo e antes que as freiras antecipassem sua entrevista com nosso senhor, foram heroicamente salvas pelos bravos remadores da casa 22. Conta como a antipatia carioca pelos portugueses, que mesmo depois da independência continuavam a tratar os brasileiros como colônia, fez crescer a simpatia pelo Flamengo nas batalhas das regatas de domingo, já que as regatas eram o que é hoje uma tarde de Maracanã. E isso mesmo o Flamengo perdendo todas as regatas das quais participou nos seus primeiros três anos de vida.

Outro episódio que vale a pena citar é confronto com a Light, responsável pelos bonde da época. O rapazes da República da Paz e Amor ficavam o dia inteiro na porta do 22, esticando os olhos para ver os tornozelos das moçoilas da época. Ou então gritando coros de gozação para os portugueses e carecas que passavam nos bondes. A Light resolveu então cancelar a parada defronte ao número 22, pintando de preto a faixa branca do poste que caracterizava as paradas do bonde. Pois os remadores pintaram de novo  a faixa branca e os motorneiros voltaram a parar. A Light pintou de novo de preto e avisou aos condutores para não parar mais ali. Foi montada uma barricada pelos flamengos que impediu a passagem dos bondes, e por fim a Light desistiu de cancelar a parada. Ponto para os flamengos, que ganharam ainda mais simpatia da população, já meio revoltada com o domínio inglês em vários setores da capital.

Mais uma vez me deparo com a tristeza de ter preenchido mais de uma página de coluna e não ter conseguido nem dar uma pálida ideia do conteúdo maravilhoso deste livro. Há o capítulo “A Era Zizinho”, que quem não viveu em idade adulta as décadas de 40  e 50 do século passado não consegue nem imaginar. Na descrição de Ruy, Zizinho era o protótipo do jogador que juntava a inteligência e a técnica a uma garra e coragem quase suicidas. Zizinho foi para o Flamengo naquela época o que o Zico foi depois, em termos de atração de novos torcedores. É claro que há espaço no livro para o timaço formado pelo Capitão Cláudio Coutinho, eternizado na nossa história e que infelizmente faz parte do nosso passado. Digo infelizmente porque quem viu este time jogar tem sempre a esperança de que um novo time, “parecido” com ele, volte a ser formado no Flamengo. Olhando do ponto de vista histórico é que vemos a improbabilidade de juntar tantos craques em um só elenco como foi feito naquela já saudosa década de 80.

Ruy Castro, na orelha do livro, dizia que não tinha certeza de que conseguiria escrever sobre o Flamengo, porque não teria o rigor e a imparcialidade que caracterizava os seus trabalhos anteriores. Pois ele conseguiu, sem deixar de ser um rubronegros da mais alta estirpe, e que até pouco tempo atrás me deliciava com crônicas as terças feiras em uma rádio aqui em São Paulo, a ponto de eu ajustar o horário da minha saída para o trabalho para não perder o horário da coluna de rádio dele. Pena que acabou, seja lá por que motivo. Pelo menos nos livros as palavras são eternizadas, estando disponíveis para quem sentir saudade e resolver reler. Que é o que eu vou fazer agora.

Recomendo. E Saudações RubroNegras!

Em tempo: Para quem conhece pouco (ou quer conhecer mais) vale a pena aprender mais sobre o rubronegro  e excelente escritor Ruy Castro: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ruy_Castro


sábado, 28 de junho de 2014

COLUNA 100!

Amigos do Conversa, eu sempre achei que uma coluna tinha que ter texto, conteúdo e uma ilustração para ser completa. Pois exatamente a centésima coluna só tem mesmo uma coisa: Emoção!

Por mais que meu coração seja mais rubronegro do que verde amarelo, essas defesas de pênalti do Júlio Cesar, depois de 120 minutos de sofrimento, me levou a subir um post para homenagear esse rubronegro que tanto sofreu depois de ter falhado na eliminação do Brasil na Copa de 2010. Aqui em São Paulo, fui gozado por muitos por este "goleirinho do Flamengo" que nos tirou da Copa. Então, é justo que agora o "goleiraço do Flamengo" também receba o seu justo quinhão de admiração e elogios!

Como disse o Juberto, na coluna que ganhou essa ilustração:

POR JÚLIO CESAR EU AMARELO!

AVE Cesar e Saudações RubroNegras!

terça-feira, 17 de junho de 2014

A perereca da Sogra


Por Roni Pedra de Guaratiba (Ou seria Dona Tejupá?) 
Galera, o elenco do Flamengo retornou após duas semanas de férias em razão da suspensão do Campeonato Brasileiro para a disputa da Copa do Mundo e...eu acho...estou me  sentindo esquisito...parece que eu caí novamente....no golpe....da dona Tejupá...

"É...o Roni  apagou de vez e novamente caiu no minha armadilha da cerveja "batizada"! Shuá,shuá,shuá,shuá.... estou quase me mijando nas calças!!!
Olá, moçoilos do Blog Conversa Flamenga, eu me chamo dona Tejupá e sou sogra do estrupício do Roni,  marido de Lu, a minha filha favorita,menina tão boazinha que não merecia ter casado com o estrupício do Roni !
Moçoilos, eu citarei algumas poucas e boas que o Roni aprontou para a minha humilde, singela e boazinha pessoa e vocês julgarão seu eu tenho ou não razão de ficar aporrinhada com ele!
Vejam vocês que certa ocasião eu tinha que pegar a minha dentadura (superior e inferior) no protético e o estrupício do Roni se prontificou a pega-las para mim!
A princípio eu de imediato rejeitei a ideia de ficar devendo um favor para o estrupício, mas a tolinha da Lu insistiu tanto que eu para não contrariar a pobrezinha acabei concordando!
Pois bem,o estrupício do Roni foi até uma "Exposição Itinerante" com objetos da Dercy Gonçalves e do Costinha que estava em Pedra de Guaratiba e trocou a dentadura inferior da Dercy e a superior do Costinha pelas minhas pererecas, e isso tudo graças ao curador da exposição, um tal de Joquinha Costeau, filho bastardo do grande oceanográfico e cientista Jaques Costeau e  que é amigo de bebedeira do Roni!
Eu sem saber de nadica de nada e  atrasada para o 80º Encontro das Ex Jogadoras de Badminton classe 1910, coloquei as pererecas na boca e fui me encontrar com as minhas queridas e educadas amigas!
Moçoilos, foi um furdunço danado e assim que cheguei encontrei de cara a senhorita Virgínia, técnica do time de badminton, solteira e virgem por opção e perguntei "se ela para se manter imaculada havia tomado esses anos todos suco de maracujá para conter o fogo das guelras e se não havia tomado o suco de maracujá pelo menos se já havia tomado no c@#*%@ já?"
Moçoilos,a senhorita Virgínia caiu de C....é... de nádegas pra cima, estrebuchando e quase que partiu dessa para o andar de cima!
A coitada caiu com tanta força no chão que pela idade dela o seu cabaç...é...o seu hímem de tão velho e sem uso deve ter se esfarelado todo! Shua,shua,shuá...
Para completar o meu drama o Roni  havia me dado um produto especial e muito bom que um amigo dele, um tal de Mestre Douglas Galvão, que é Cirurgião Dentista, costumava usar em seu consultório dentário e que eu fui descobrir mais tarde que o tal produto era aquela famosa cola chamada "Araldite"! 
Com até hoje não consegui retirar as pererecas da Dercy e do Costinha só me restou ter consultas com a minha filha Lu que é Fonoaudióloga e está me ajudando a controlar os impulsos filhos da put... é...do caralh....terríveis que eu tenho de falar palavrões e piadas imorais por causa das dentaduras dos finados artistas!
Moçoilos,me digam se eu tenho ou não razão de ficar put...é...chateada com o estrupício do Roni?

Eu descobri também que o Roni está ensinando  a tal da senhorita Rose C...é...Rego dos Prazeres a jogar tênis!
Disse que irá inscrever essa desocupada e desvairada em um torneio que tem lá na França e que se chama Rola Agarrou que é um torneio semelhante ao Roland Garrou!
O estrupício do Roni se prontificou a fornecer o "uniforme" que segundo ele é composto de shortinho fio dental e nada mais que é para facilitar os movimentos do saque!
Se a pobrezinha da minha filha descobrir, o Roni está phodid...é...perdido!
Para terminar já que eu já enchi os culhões, ops...o saco de vocês reclamando do estrupício eu não vejo motivo para ele estar tão preocupado com o time do Flamengo!
Apesar do estrupício do Roni achar que eu estou gagá, basta o técnico Flávio Costa escalar os onze melhores da esquadra Rubro Negra!Até eu sei que o goleiro Garcia, Domingos da Guia, Dequinha, Dr.Rubens, Dida, Leonidas, Evaristo, Zizinho e Zico é uma espinha dorsal de primeira para um grande esquadra de football!
Bem...vou ficando por aqui pois o Roni está acordando e eu não quero que ele saiba que eu vou enviar o meu desabafo para o senhor Victor Esteves!
Aproveitando o ensejo,senhor Victor você já parou de fumar? Não???Sugiro chupar toda noite um bom "Picão Preto Africano" que é tiro e queda para acabar com esse seu vício! Melhor o senhor ficar viciado em "Picão Preto Africano"que dá muito mais prazer que o vício do fumo!
Bem... a não ser que o senhor prefira levar fumo todo santo dia lá no trabalho ou engarrafado no trânsito de São Paulo!!!
Desejo a todos os moçoilos um forte amplexo e vários ósculos e em especial ao Jubertão de Klevar ( que poha será essa de Klevar?) e para o Elias, o Vovozão Grande e simpático da linda princesinha Alice, para o Cirurgião Dentista Douglas Galvão, apesar do Araldite e para o Rodrigo Ribeiro, o CDF do blog, ops, me desculpe... ainda são resquícios das pererecas!

SRN da Senhora Tejupá, sogra do estrupício do Roni!

domingo, 15 de junho de 2014

Literatura RubroNegra III: A arte da paixão pelas palavras



Rubronegros leitores, frequentadores e passantes do Conversa Flamenga, vamos a mais uma coluna sobre livros que tratam do Flamengo, nessa entressafra de notícias reais sobre o Mengão. Para hoje escolhi um livro simples, chamado “Flamengo é puro amor”, que é uma coletânea de 111 crônicas escolhidas  entre as publicadas por José Lins do Rego entre março de 1945 e julho de 1957. Uma grande parte da nação rubro-negra não era nascida quando Zelins morreu e estou certo que muitos nunca ouviram falar do importantíssimo traço de sua personalidade, o seu “flamenguismo” exacerbado e romântico. Vamos conhecer primeiro quem foi este grande escritor brasileiro.
José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em 3 de junho de 1901, em Pilar, cidade do Estado da Paraíba. Estudou na capital, João Pessoa e em Recife. Aos 22 anos, já publicando artigos em suplementos literários, forma-se em advocacia e aos 25 anos tem uma rápida passagem como promotor público em Manhuaçu, Minas Gerais. Em 1926, transfere-se para Maceió, onde trabalha como fiscal de bancos. Como colaborador do Jornal de Alagoas, conhece um grupo de intelectuais que seriam seus amigos até o fim da vida, como Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Aurélio Buarque de Holanda, além de Gilberto Freyre. Zelins foi um legítimo representante da cultura nordestina, inaugurando o tema dos engenhos e descrevendo como poucos o ciclo da cana de açúcar e a transição dos engenhos para as usinas, iniciado em “Menino de Engenho” (1932) e concluído em “Fogo Morto” (1943). Festejado pelas maiores inteligências brasileiras da época, seus livros viraram filmes e em 1955 é eleito para a Academia Brasileira de Letras. Morreu em 12 de setembro de 1957, um dia depois deste colunista nascer. Zelins se notabilizou por ser um escritor intuitivo e desprovido de artifícios literários, mas capaz de registrar a alma e o sentimento de seus personagens sofridos e o impacto da realidade em suas vidas e no seu modo de pensar. Talvez venha daí a facilidade com que ele escreve sobre “ser rubronegro” e sobre esta grande paixão da sua vida e de tantos brasileiros.
Em novembro de 2013, Juca Kfouri fez uma crônica sobre este mesmo livro e selecionou um trecho que me atrevo a repetir aqui para dar uma ideia mais precisa do sentimento rubronegro deste flamenguista apaixonado:
“Há no Flamengo uma grandeza de alma que me atrai. Não é um clube de gatas ou de futebol: é uma instituição nacional. Há todo o Brasil no Flamengo, todas as raças, todos os credos, todas as classes, todas as paixões generosas. Sou assim Flamengo pelos meus impulsos e pelas minhas reflexões. Sou Flamengo de corpo e alma, a todas as horas, em todos os instantes. O que me domina no Flamengo é sua universalidade. É o clube do povo.” (“O Flamengo”, in: Jornal dos Sports, RJ, 15/11/1945).”

Antes de falar do livro propriamente dito, cabe registrar o sensacional trabalho de Marcos de Castro, que faz as notas explicativas dos curtos textos de Zelins, dando o ambiente e explicando quem eram as pessoas aos quais ele se referia ou citava. É quase um livro a parte, interessantíssimas estas notas e uma fonte extra de conhecimento daquele período romântico do futebol brasileiro.
Não deve ter sido fácil o trabalho de escolher 111 crônicas entre as 1571 publicadas pelo Jornal dos Sports na sua coluna “Esporte e Vida”.
O livro começa com um texto de 7 de março de 1945, onde ele explica como aceitou o convite de Mário Filho, que viria a dar nome ao Estádio Municipal do Maracanã para escrever no JS. E de cara se propõe a ser verdadeiro e flamenguista. Nada de ser imparcial! E curiosamente, esse rubronegro tão conhecido por sua paixão, não se nega a falar e até mesmo a elogiar as demais agremiações rivais e seus dirigentes, como Lyra Filho, do Botafogo, ou Cyro Aranha do Vasco. Imaginem isso: Existiam dirigentes que eram reverenciados como bons desportistas! Nem vou lembrar o que achamos da maioria dos dirigentes atuais (de todos os clubes), para não quebrar a magia desse fato simples, mas marcante, que diferencia o futebol daquela época dos “vendilhões do templo” em que se transformou o nosso esporte. Mesmo assim, Zelins não se furta de pequenas espetadelas nos amigos torcedores do arco-íris futebolístico. Sempre com elegância e inteligência. Imperdível para quem gosta de ler sobre o Flamengo, sobre o futebol e sobre a nossa história.
Para quem não sabe, o Rio de Janeiro tinha na época o Café Central, onde tradicionalmente se encontravam os rubronegros, nas segundas feiras, para discutir a rodada do fim de semana. Ao contrário da Confeitaria Colombo, onde se reuniam no almoço os cartolas engravatados, o Café Central tinha uma aura de boêmia e de picardia. Imaginem a delícia que devia ser o ambiente. De certa forma, os blogs hoje fazem este papel, unindo pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo.
Nenhum texto conseguiria descrever a poesia, a maneira gostosa de falar sobre a crônica esportiva da época e a quantidade de fatos e competições citados neste livro. Como são textos curtos, termino com uma crônica integral, a de 25 de março de 1952, mas mais atual do que nunca, escrita depois de uma viagem que Zelins fez ao Nordeste, revendo amigos e suas origens:
“Volto de minhas viagens sentimentais e aqui chego com o Flamengo na posse tranquila da lanterna do Rio-São Paulo. É de doer. Por toda parte, em Recife, em Paraíba, em Fortaleza, em Campina Grande, só ouvia um choro: “o que há com o nosso Flamengo?” Na bebida que me ofereceram os cronistas em Fortaleza, quase todos os presentes eram rubronegros, e todos se lastimavam. Tomei um avião em João Pessoa e a tripulação toda era flamenga, e todos tristes com o mesmo lamento: “O que há com o nosso Flamengo?”
É triste contar tudo isso. Mas deve haver um jeito para tamanha desdita.
E aqui chegando, perguntaria aos nossos dirigentes: - O que há com o nosso Flamengo?”


É isso amigos. Lembrando que em 1952 iniciamos nossa campanha vitoriosa de mais um tricampeonato. Que seja assim, que depois desse período triste venha um novo período de glórias para o Mengão. Saudações rubronegras e boa leitura para quem conseguir esse exemplar de “Flamengo é puro amor”!