Amigos do Conversa
Flamenga, confesso que não anda fácil escrever sobre o momento atual do
Flamengo. Percebo a mesma coisa em vários espaços rubronegros que visito. O
“Fora Ney”, que começou antes da chegada dele, continua, e no fundo todos
sabemos que dificilmente um dirigente mandaria
embora um técnico contratado até o final de 2015, mesmo depois de uma
derrota e quatro empates. O time está completamente previsível e até um treinador
de time infantil sabe o que fazer para neutralizar as nossas jogadas. Verdade
seja dita, os principais desafetos da torcida, ou pelo menos aqueles que a
torcida mais queria fora do time (Felipe, Andre Santos e Elano), não entrarão
em campo contra o Cruzeiro. Já se fala até que estarão fora do elenco depois da Copa. Para não
desvalorizar os jogadores, fala-se em poupar salários, quando na verdade o que
acontece é que parece que descobriram o que todo mundo via, ou seja, os
jogadores simplesmente estão jogando menos do que se esperava. MUITO MENOS!
Do ponto de vista
tático, vamos jogar em um formato meio enviesado de 3-5-2, com Amaral atuando
como um zagueiro, e três zagueiros de ofício em campo, embora o Samir ocupe
oficialmente a lateral esquerda, o que aliás já era pedido por vários torcedores,
especialmente aqui no Conversa. Na minha avaliação pessoal, o único ponto fraco
continua sendo a presença de “Messi” Araújo, jogador mediano que pouco
acrescenta à criação ou à marcação do time. Minha escalação para o jogo de hoje
seria apenas a troca de Araújo pelo Mugni. Ou a entrada de Cáceres no mesmo
lugar, se a marcação estivesse sendo superada. Com Gabriel voltando de
contusão, Everton e Hernane de molho, não há muito como fugir de Paulinho, Alecsandro e o surpreendente
Negueba, The Style Man, na linha de frente. A previsão de qualquer jogo entre o
líder do Campeonato e o time que em oito jogos só conseguiu uma vitória, seria
a da vitória do time mineiro. Mas como o Flamengo é diferente de tudo que
existe em futebol, acredito sinceramente em uma vitória rubro-negra hoje,
levando a mística da camisa que joga sozinha ao extremo de vencer as partidas
mais improváveis e de nos dar umas férias da Copa mais tranquilas e com tempo
para repensar o que desandou tanto neste elenco. Prá cima deles Mengão!
Mas como disse que
escrever sobre o momento atual não está fácil, resolvi cumprir um desejo
antigo, que é o de recomendar leituras sobre os grandes momento do Flamengo, na
pena de tantos escritores iluminados que conseguiram o privilégio de escrever
sobre a nossa história e os nossos grandes momentos. Na foto que encabeça esta
coluna, uma amostra dos livros que fui amealhando nestes anos de
rubronegritude. Desde já aviso que não tenho nenhum acordo com os autores e nem
assumo compromisso de falar sobre nenhum livro em especial.
Faço um registro
especial sobre os autores. Arturo Vaz Vaqueiro, se não estou enganado, é amigo
pessoal do Sidney Bastos, que me contou o quão rubronegro ele é. Celso Junior,
pelo que soube agora, é o idealizador do Fla Estatística e isso já diz tudo
sobre o acervo rubronegro que ele juntou e ao qual se dedica. E Paschoal
participou da fundação do SporTV e fundou a Maquinária, a editora que além
desse livro também colocou no mundo o “6 X Mengão”e “1981”, entre outras
“relíquias” rubronegras.
A sensação que eu
tenho é que este livro (100 ANOS) é o aperfeiçoamento do “Acima de tudo
rubronegro” do mesmo Arturo, que tanto me inspirou e informou ao longo destes
últimos dez anos. Muito do que escrevi nestes mais de duzentos textos que já
produzi para os vários blogs dos quais participei foi baseado neste livro
querido. A diferença é que em Acima de Tudo o autor contou a história, ano a
ano, até 2003 na edição que eu tenho, de todos os esportes do Mengão. Em 100
ANOS o assunto é só futebol. E isso preenche com folga as mais de 300 páginas
deste exemplar de colecionador. Arrisco dizer que por um valor menor que um
ingresso de uma partida você tem em mãos toda a nossa história até a final do
carioca de 2012. O estilo do texto é delicioso, daquele que quando acaba o
capítulo você espera que o livro não
acabe nunca. É dividido em “fases”, iniciando pela de 1895 a 1910 e terminando
a sequência com a fase de 2000 a 2012. Traz ainda um capítulo sobre o 100
maiores ídolos e os 100 grandes jogos. O livro tem uma edição belíssima, literalmente
rubronegro, pois exibe páginas negras e vermelhas, com muitas fotos históricas
e belas lembranças da nossa história. Para não dizer que não dei uma amostra do
texto, termino, além de recomendar fortemente a compra e guarda desta
preciosidade, com a história que o Zico conta da conquista do nosso
tetracampeonato, envolvendo o nosso saudoso goleiro Zé Carlos.
“- Era um time
muito bom. Tinha o Zé Carlos, o Jorginho, o Leandro, o Ailton, o Zinho, o
Bebeto, o Renato... Era só craque. Para mim foi uma consquista obtida nos
“acréscimos” (risos). Estava com os meniscos arrebentados. Tinha que operar,
mas aí não jogaria. Os médicos então deram uns pontos no joelho. Eu não podia
saltar e nem apoiar a perna esquerda na queda. Quando fiz um de falta contra o
Santa Cruz atravessei o campo para comemorar com o Zé Carlos, que reclamava que
nunca participava das comemorações de gol. Prometi que se fizesse o gol ele
receberia o primeiro abraço. Fiz isso. Dei um pulo em cima dele, porém, quando
caí, sem querer me apoiei com a perna esquerda. Os pontos arrebentaram na hora.
Nos jogos seguintes meu joelho inchava muito. Ficava o tempo todo com uma bolsa
de gelo fazendo tratamento. No dia seguinte da final contra o Inter, bem
cedinho, estava no hospital fazendo uma cirurgia para tirar os meniscos”.
Precisa dizer mais alguma coisa? Isto é
Flamengo! Mais de 100 ANOS DE BOLA, RAÇA E PAIXÃO!
Saudações RubroNegras!








