Rubronegros
sobreviventes deste embate épico contra o Leon, existem dias em que o caçador é
abençoado e dias em que “a caça” é quem se dá bem. Parece uma grande sacanagem
buscar culpados neste momento triste, ainda mais que já no domingo uma nova
decisão nos espera.
Mas os amigos que
nos presenteiam com sua atenção lendo os textos do Conversa Flamenga, ou os
comentários dos nossos frequentadores, sabem que defendi até a última instância
as decisões do Jayme, e suas escalações, mesmo discordando abertamente de
várias delas. Pois bem. Isso durou enquanto o sucesso estava vindo, mesmo que “a
duras penas” desse urubu cansado.
Não perdemos a vaga
neste jogo contra o bravo e, devemos reconhecer, bem montado time do Leon.
Perdemos quando o Amaral nos deixou com 10 em campo no México. Perdemos quando
empatamos com o bisonho time do Bolivar (apesar de primeiro do grupo, se
jogarmos 10 vezes ganharemos oito das partidas) em pleno Maracanã. Perdemos
quando não reconhecemos o gramado molhado e escorregamos na altitude. Perdemos
quando não definimos os “11 melhores”, como sempre disse o Juberto, ou quando
colocamos em campo três jogadores velhos, voltando de contusão, e que cansaram (ou
sentiram uma contusão) antes do fim do primeiro tempo.
Discuti com os
amigos aqui (Roni e Rodrigo) sobre a postura do Jayme a beira do campo.
Confundi energia e orientação com o estrelismo de outros técnicos que passaram
pelo Flamengo, que ficavam ofendendo os jogadores mais jovens mas eram
submissos aos caprichos dos medalhões.
Tive a oportunidade de ver o Simeone na beira do campo no jogo onde o Atlético
de Madri eliminou o poderoso Barcelona de Messi e Neymar, e entendi o que os
amigos queriam dizer. O próprio técnico do Léon, ontem, transbordava energia e
esse força parece que passava para os seus jogadores. Ainda não acho que o
Jayme seja “um Andrade que sabe falar”. Penso que ele entende sim de futebol e
tentou armar o time da forma que achou melhor, lidando com várias contusões que
impediram o time de ganhar o conjunto que precisava. Mas é exatamente na falta
de experiência que pecamos nesta Libertadores. Jogar uma Libertadores exige
algo mais. Um time como o do Léon, que vinha, pelo que li, de 4 resultados
ruins no Campeonato Mexicano, se transformou no Maracanã. Jogou com
inteligência, prendeu a bola quando tinha que prender, catimbou quando foi
necessário e agrediu quando demos esta oportunidade. Seus jogadores foram
fortes, e não pareceram cansados nem no final do jogo. É um tipo de jogo
diferente, uma arbitragem diferente e que não “vai na conversa” das faltas
inexistentes, e pelo contrário, acabam não dando faltas reais se o jogador faz
parte da lista dos “cai-cai”. Ontem mesmo tivemos vários exemplos disso.
Por fim, o elenco.
Não vou fazer coro com quem entende que o fracasso se deve à zaga. Penso que qualquer zaga desprotegida fica vulnerável, mesmo nas bolas altas. Continuo
achando o Samir um craque e tenho certeza de que o tempo me dará razão. Mas ao
contrário do que imaginamos no início, Elano não foi uma boa contratação. O
Renato Abreu também fazia gols de falta e não era jogador para um clube como o
Flamengo. O André Santos foi contratado em um momento de crise na posição, mas para
mim já está se preparando para ser jogador de showbol. Idem para Léo Moura.
Jogador de notável habilidade, mas que só pode jogar duas ou três vezes por
mês. Não quero um Amaral na frente da nossa zaga. O custo benefício não
compensa. O Muralha vai fazer jogadas “bacaninhas” de vez em quando, mas pelo visto nunca vai
ter a regularidade que precisamos nesse time. De quem entrou em campo ontem,
continuo contando com Felipe, Samir, Wallace, Alecsandro, Paulinho, Everton e
Gabriel. Mesmo assim, não sei se todos seriam titulares. Precisamos de uma
opinião final sobre o Erazo, pois ele não pode jogar tão mal como nos pareceu.
Ele parece ter mais futebol do que mostrou, e eu ainda levo fé que ele vai apresentar esse futebol. Temos o Mugni, que alterna boas e más apresentações, mas que
também credito ao treinador o fato de ele ainda não ter encontrado seu lugar em
campo. Temos o Luiz Antônio, que pode não ser um craque, mas pode muito bem dar
qualidade de passe e de lançamentos para jogadores rápidos como Everton,
Paulinho e Negueba. Aliás, sobre o Negueba, é outro que só pode entrar em um
time que jogue em cima da sua velocidade e coragem. É preciso treinar estas
jogadas e não lançar o moleque no jogo e rezar para ele acertar um lançamento
de Gérson em todos os jogos. Ver o Negueba correndo curtinho na intermediária
entre 4 jogadores adversários, é de dar desespero até no Dalai Lama. Nem quero
falar dos demais reservas. Vou acabar dizendo que na falta do Cáceres vamos
precisar do Mário Araújo, e me perdoem seus defensores, mas também não acho que
ele seja jogador para o Flamengo.
Vou encerrando por
aqui porque o desabafo inicial murchou. Continuo querendo ser campeão carioca,
mas a partir de agora, precisamos remar tudo de novo para chegar exatamente
aonde estávamos ontem, prestes a partir para uma fase final de Libertadores e
uma final contra os demais campeões das outras partes do mundo. Agora, só em
dezembro de 2015.
E termino dizendo
que por mais erros que esta diretoria tenha apresentado no futebol, continuo
apoiando o blues e sua administração séria e digna. É verdade que de boas
intenções o inferno está cheio, mas o fato verdadeiro é que essa Libertadores
veio antes do que o mais otimista dos rubronegros imaginava. Sonho com um time
forte, recheado de craques de verdade, e sei que só o caminho da austeridade e
da seriedade administrativa nos levará a ele.
Vamos em frente,
moçada. O Flamengo é maior que tudo e que todos, e temos um campeonato estadual
para conquistar e um ano inteiro de brasileiro para reforçar o time, trazer o
Sampaoli e acertar o time para um futuro brilhante, que espero que seja em
breve.
Saudações Rubronegras!






